Notícia: Burocracia e tributos do Brasil afastam investidor estrangeiro

Publicado por admin em 10 de dezembro de 2009

Fonte: CORECON – ES

Data: 01/12/2009

De acordo com Valdimir Kuleda, presidente da Centro Projekt do Brasil, para abrir um negócio ou trazer a filial de uma empresa tcheca é necessário um investimento em funcionários qualificados em setores como jurídico e administrativo.
“Para que nós viéssemos para o Brasil tivemos que enfrentar o medo e a dificuldade tributária e burocrática. São inúmeros impostos e normas que todas as empresas devem seguir para fabricar uma agulha, por isso, tivemos que contratar advogados, consultores, especialistas em leis trabalhistas. Hoje, depois de nove anos no Brasil, temos a certeza que o investimento e as dores de cabeça iniciais foram necessárias para o retorno obtido”, explicou Kuleda durante evento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Segundo o presidente, para ter negócios no Brasil é necessário ter uma matriz no Estado de São Paulo, pois os maiores polos comerciais estão no local. Os dados apresentados pela Centro Projekt, mostram que em 2001 o lucro líquido da empresa foi de R$ 6.177 milhões, em 2008 o resultado dos ganhos foi de R$ 82.602 milhões e para 2009 e 2010 as projeções da companhia são de lucros líquidos de R$ 125.612 milhões e R$ 275.385 milhões, respectivamente.
Esta é uma situação oposta à enfrentada pelos empresários brasileiros que abriram filial na República Tcheca.  Segundo Gilberto Paulo Salm, consultor da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), o país integrante da União Europeia simplificou seus sistemas burocráticos e tributários, de forma a extinguir a complexidade e dificuldade de operações do grupo brasileiro.
“Os tchecos apoiam os investimentos estrangeiros, dão os mesmos benefícios das empresas nacionais para as empresas internacionais. A mão de obra é de alto nível e extremamente competente, a ponto de não haver a necessidade de empresários de cargos superiores terem que ir para a fábrica situada no país”, relatou o consultou Salm.
Ele informou ainda que a escolha para a compra de uma indústria bélica da República Tcheca foi ocasionada pelo posicionamento estratégico, situa-se no centro da União Europeia. “Para termos uma liderança mundial, tínhamos que atingir os países europeus, com isso, a CBC comprou a indústria alemã MEN e em março deste ano adquiriu a Sellier e Bellot. Com a junção das 3 empresas, o grupo passou a lucrar US$ 350 milhões por ano e a ocupar o segundo lugar nas vendas mundiais para civis e militares”, alegou o consultor.
Salm afirmou, porém, que o investimento no exterior, a princípio, reduz os percentuais de exportação da balança comercial brasileira, uma vez que para unificar o processo de vendas do grupo foram e ainda são necessárias compras de máquinas tecnológicas iguais às fábricas na UE.
“As fábricas que adquirimos são competitivas e modernas, e por mais que tenhamos investido muito nas duas fábricas brasileiras, ainda estamos defasados em comparação, por isso, temos que importar tecnologias como o modelo de ensacamento de munições europeu, para que o produto brasileiro se torne cada vez mais competitivo no exterior”, declarou Salm.
Alencar Burti, presidente da ACSP, enfatizou durante entrevista exclusiva para o DCI, que o governo federal, há mais de 20 anos recebe propostas para que a questão tributária e a burocracia sejam reduzidas e eliminadas, mas a dificuldade no entendimento dos governos federal, estaduais e municipais, para resolução do problema impossibilita um acordo satisfatório.
“Se o Brasil seguisse o exemplo da República Tcheca e simplificasse o modo burocrático para as empresas e empresários e conjuntamente reduzisse os números e valores de impostos, conseguiria maior quantidade de investimentos de empresas estrangeiras no País, além de exportar produtos manufaturados e com maior valor agregado, ao invés de continuar vendendo somente commodities”, argumentou.
“Antes o Brasil poderia ficar sem definir questões de alta importância e teria as consequências depois de duas décadas, hoje se uma questão como a reforma tributária ficar sem definição teremos um problema grave em dois ou três anos”, concluiu Burti.


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